sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

꽃처럼



                                                                         Foto por: Mike Rodrigues



"내가 시인 기질이 좀 있지. 꽃도 좋아하고, 이상한 소리도 잘 하고."

시 - 2010

피 색 꽃이 내 가슴에
싹트고 있는 것 같다
그 꽃처럼 나도 빨개
그 꽃처럼 피가 흐른다
혹시 피가 아닌데
왜 이렇게 마음이 아플까?
아마 나도 그 꽃처럼
뜨거운 심장밖에 모른다
아마 그 흐르는 것은
꽃보다 더 아름답다
아마 그 흐르는 것은
멈추지 않는 냄새가 아닐까?
그 꽃처럼 나는 기다린다
뽑아버릴 그 사람을
하염 없이 기다린다

Mike Rodrigues

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pessoas apaixonadas

Pessoas apaixonadas são patéticas
São apáticas
São simpáticas e hipotéticas
São até telepáticas
São orgânicas e sintéticas
Pessoas apaixonadas são parassimpáticas
Lunáticas e subaquáticas
São hiperbólicas
Esféricas
E até hipercúbicas
Pessoas apaixonadas são dúbias
E são metálicas
São montanhas
E são nuvens
Pessoas apaixonadas não têm rimas
São figuras, imagens, firulas...
Pessoas apaixonadas são poetas
São patetas
Palhaços e cantores
São campos cobertos de flores
São aves cobertas em pluma
Pessoas apaixonadas são do mar espuma
Bolhas de sabão voando numa brisa...
São chegadas e partidas
São romãs partidas
São xamãs
Pessoas apaixonadas são excêntricas
E ao mesmo tempo concêntricas
São múltiplas e infinitas
E são únicas
São mais que dois
São um
Ai pessoas apaixonadas!
São malucas
Acreditam que o amor se substitui facilmente por um sorriso
Ou até um pedaço de fruta

Mike Rodrigues

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O homem e o vento

Era uma vez um homem
Que se apaixonou pelo vento
Vivia percorrendo o mundo
Correndo atrás de seu amado
E tão logo o sentia nos cabelos
Tão logo ele já havia passado
Pobre homem apaixonado
Vivia sempre cansado
Vagando sempre ao relento

Era uma vez um homem
Que se apaixonou pelo vento
Viveu percorrendo o mundo
Correndo atrás de seu amado
E quando deu por si um dia
Sua vida já havia passado
Pobre homem apaixonado
Viveu como pássaro sedento
Sem nunca ter pousado

Era uma vez um homem
Que se apaixonou pelo vento
Viveu percorrendo o mundo
Correndo atrás de seu amado
Percorrendo imensuráveis espaços
Perdendo-se através do tempo
Buscando sempre um futuro
Fugindo de seu passado
Nunca vivendo o momento

Pobre homem apaixonado
Tivesse ao menos respirado
Sorvido um gole do vento
Teria sempre seu amado
Consigo ali por dentro

Mike Rodrigues

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

❤

“Coração-bobo
Coração-bola
Coração-balão
Coração-São-João
A gente
Se ilude, dizendo:
‘Já não há mais coração! ’...”
Coração Bobo – Alceu Valença

Coração é coisa louca
Às vezes parece dançar no peito
Às vezes parece sair pela boca
Às vezes deixa a pessoa louca
Às vezes quase que mata o sujeito
Às vezes parece não ter mais jeito
Quer gritar até a voz ficar rouca
Coração não é algo pra alma pouca
É ao mesmo tempo causa e efeito
Coração para que bata direito
O melhor é amor à queima-roupa


Mike Rodrigues

sábado, 9 de novembro de 2013

Morfema

Ah quem me dera voltar
Para os braços de Morfeu
Na terra em que vivíamos
Vivíamos do que colhíamos
Ele a mim amava
E quem o amava era eu
Os mantos que  me cobria
Eram mantos de alforria
A língua a qual falava
Era a canção que me ninava
E quando eu dormia
Enquanto eu sonhava
Era só nele em que pensava
Mesmo o vendo todo dia
Na  terra da morfina
Viver de pura dopamina
Bebendo dos seus lábios
Um néctar do próprio deus
Ah noite escura
Chuvosa e fria
Minha eterna companhia
Que será dele e eu?
Se chovesse como eu chovo
Até os dias que são longos
Passariam por penúria
Se chovesse como eu chovo
Digo certo, com desgosto
Seria uma eterna lamúria
Ah noite fria
Que chora e dorme
Porque também não durmo eu?
Que será dele sem mim?
Que será de meu Morfeu?
Ah nostalgia eterna
Querer voltar pr'aquela terra
E dormir nos braços seus
E essa noite que me é eterna
Essa panterína fera
Indomável, insopitável
Quer roubar os sonhos meus
Embala-me com seus encantos
Oh Morfeu eu vos rogo em pranto
Daí-me um pouco do seu ópio
Adormece o choro meu.

Yuri Mushrock

domingo, 27 de outubro de 2013

A esfera

O olho vaga, lunático, vazio
E me engloba.
Constrange-me, me flagra
E me assola.

A esfera fria pisca
Se lambe com pestanas grossas,
Metálicas, mais que metálicas,
De chumbo
E se corta.

O olho sangra e pinga,
Goteja e chora.
Inunda-me com seu mar
Espesso, me toca, me afoga.

A bola gira rápida confunde-me e pisco.
Em volta ela desmaterializa-se
E fico vazia, lunática, fria, metálica,
Mas sinto, percebo
Que algo me olha.

(01/05/2010)

Matilda de Azevedo

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Nihilo

Tua falta é excesso nesse momento
Tua ausência por fora
Me é vazio por dentro
Saudade que me segue passo por passo
Cada vez mais minguante
Cada vez mais escasso
O silêncio que preenche esse vácuo
Um lapso no tempo
Um buraco no espaço
Lembrança que me mantém acordado
A atormentar-me o futuro
A corroer-me o passado
Um frio que me percorre a coluna
Esse hiato infinito
Essa eterna lacuna
Abstinência que me deixa dopado
Tua falta é excesso
Mais que demasiado

Mike Rodrigues