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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Anteros

Tu, oh anjo caído
Me persegues como a uma caça
Tu me atiça, me abrasa
Facilmente me hipnotiza,
Me prende, me laça.
Tuas carnes eu desejo,
Esse sentimento que me alucina,
Nelas deitar-me-ia
E voaria com tuas asas.
Tu, oh grega escultura
Deixaste-me à beira de algo absurdo
No limiar entre perder o juízo
E entregar-me a loucuras
Agora vivo à espera de Hermes
E tuas mensagens as guardo comigo
À noite miro sempre o negrume absoluto
Imaginando que talvez
Orfeu te traga consigo.

Mike Rodrigues

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Anteros


O frio da noite fustiga-me a face
(protejo-me apenas com a brasa de meu cigarro)
É essa lufada o bater de tuas asas
Anteros, meu anjo de ébano.
É a Lua graúda teu espelho de prata,
Teu olho a desvendar-me os segredos.
O frio da madrugada congela as horas em que me encontro,
Me perco.
É esse teu truque para aprisionar-me a alma,
Levar-me a lucidez escuridão adentro,
Silencioso como pássaro noturno à espreita.
O frio prossegue confundindo-se com o negrume,
E eu a chorar por fora,
E eu a nevar por dentro.

(02/09/11)

Mike Rodrigues

sábado, 24 de setembro de 2011

Anteros

Abraçaste-me com tua noite inteira,
Ou foram tuas asas?
Teu veludo?
No calor do momento difundi-me por teus braços,
Mesclando-me à tua carne.
Minha mente a estudar teus relevos,
Embriagada em teu torpor violento.
Vi teus olhos, dois pontos,
Duas estrelas a me servir de guia.
Não, duas luas imensas,
Duas musas,
Tornando-me mais poeta
A cada noite que passa.

Mike Rodrigues