terça-feira, 4 de agosto de 2015

지하철

As pessoas viajam mudas
O trem passa e as leva
Parecem com pressa
Paradas, lentamente arrastadas
Homens em seus ternos
Mulheres elegantemente maquiadas
O metrô se renova a cada parada
Mais do mesmo, mesmo do nada
Alguns vão sentados, outros em pé
Soldados à estrutura metálica
Esperam seus destinos,
A estação derradeira,
Convergência inevitável
Dessa fria linha férrea.

(03/08/15)

Mike Rodrigues

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Möbius

Nasci atrasado
com excesso de tempo
e falta de espaço
preso num perpétuo laço
sinto-me atado
tal qual um inseto
nessa fita infindável
ando sempre cansado
com saudades do futuro
no encalço o passado
o que há de errado?
com essas fronteiras
com esses embaraços
cercado pelo nada
coagido por todos lados

Mike Rodrigues

terça-feira, 30 de junho de 2015

Isometria

Campo aberto
Caixa fechada
Faixada de aço
Mormaço
O céu derrete lentamente
Cobrindo nossas cabeças
Fundindo nossas mentes
Cansaço
Barulho
As engrenagens gritam
As pessoas se silenciam
Trânsito intenso
Máximo proveito
De tempo e espaço
Pressão constante
Apertando os laços
Um belo embrulho
De um lado orgulho
Do outro fracasso
Um cubo inteiro
Feito de mil pedaços
Eterna caminhada

Cada dia é como um passo.

(27-04-15)

Mike Rodrigues

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Âncora

Desamarrei de teus pés meus cabelos
Desatei os nós e os zelos
Deixei-te livre a flutuar
Ao sabor da maré alta
Sobre a luz da Lua cheia
Soltei-te tal qual sereia
Joguei-te de novo ao mar
E essa ponte de areia
Que construí para além-amar
Que desmorona em maré cheia
Que eu sísmico a remontar?
Assisto enquanto andas
Pra longe, em direção às ondas
Deito na praia a choramar?
Ou faço pra Yemanjá mandinga
Que ela te traga ainda

De volta pro meu amor restinga?

Mike Rodrigues

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Mim Mike



Sou da terra em que existe
um bater não violento
um terreiro bom, por exemplo
bate sol e bate vento
e o som que bate em tambores, panelas ou pingos de chuvas em copos
esse bater de batuque que bate o som, sabe?
também é bater que pode

Eu sempre fui tribo de sol
que batia na fruta a amadurecê-la
que eu apanhava com a mão.
Sempre morei nas curvas onde se estralam como um chicote e se sibilam como um silvo os ventos violentos nos varais.

Enquanto eu nadava com meu irmão
minha mãe lavava roupa num ribeirão,
cozinhava feijão à lenha
e tinha hortaliça e ervas sempre à mão.
Eu tinha planta de estimação,
que na minha imaginação
era como amigo da gente.
Eu tive mata pra furar o pé
e manga madura docinha que a meninada dividia com a macaca
E os pássaros que vinham voando comer.

Eu tive os cabelos longos
cabelo de cuia já tive também
sempre corri livre, levado e solto
e como o vento sempre hei de correr.
Já tive casa na árvore,
já me balancei em cipó
Dizem que tive uma índia tataravó,

talvez eu até mesmo já fui árvore
e sempre hei de ser raiz.


Mike Rodrigues

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

秘密

Sem rodeios, devaneios, demências demasiadas

Entrelinhas seriam apenas espaços esparsos

Guardados no branco entre linhas

Runas, ruínas, línguas mortas

Escritas estranhas

Desenhos

Ocos

Mike Rodrigues

domingo, 17 de agosto de 2014

강가에서 나를 찾다

밤으로 사라지는 강은
마치 시간처럼 계속 흐른다
강가에서 쓸린 모래는
조금씩 모래 시계가 된다

암흑으로 사라지는 강은
산에서 녹은 눈이 아닐까?
내 심장에서 녹아버린 차가움도
이제는 흐르는 눈물이 된다

나를 찾아 강가로 가지만
달아나는 강은 공허로 사라진다
나의 눈물도 강이 되면
나는 나를 찾을 수 있을까?

2014年 8月 15日

Mike Rodrigues


(교정: 권혁범)