terça-feira, 30 de novembro de 2010

Antemanhã

Madrugada nua, gélida e cirúrgica,
Quem te debulhou hora a hora,
Como pétala a pétala,
Tuas verdades mais absurdas.
Somos todos filhos de suas delícias,
Hipnotizados pela violência de teu silêncio.
Sempre a nos vigiar com teu olho satélite,
Tu governas imaculada
Desde os nossos sonhos às nossas prostitutas.


(06/06/10)

Mike Rodrigues

domingo, 28 de novembro de 2010

Quadro

                                         Foto tirada de http://www.biocientista.com


Da janela de minha casa vejo o mundo.
Vejo sempre a mesma manga amarela,
Vistosa, suculenta, convidativa, simplesmente pronta.
Lá ela sempre esteve, sempre estará,
Constante, absoluta.
Ninguém ousa tocá-la,
Nem os pássaros,
Ainda que todos a almejem.
Hoje, porém, não a vejo.
O dia nublado bloqueia minha visão.
A janela embaçada é tudo que tenho.


(2008)


Matilda de Azevedo

sábado, 27 de novembro de 2010

Antemanhã

Madrugada nua, gélida e cirúrgica,
Quem te debulhou hora a hora,
Como pétala a pétala,
Tuas verdades mais absurdas.
Somos todos filhos de suas delícias,
Hipnotizados pela violência de teu silêncio.
Sempre a nos vigiar com teu olho satélite,
Tu governas imaculada
Desde os nossos sonhos às nossas prostitutas.


(06/06/10)

Mike Rodrigues

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Monólito

Uma estátua de mármore,
Gigante e bela apenas,
Estética pura,
Beleza em pedra fria.
Em praça pública ela se estende,
Esguia, lânguida, esbelta.
Sua silhueta contra o poente
Manchado de tons quentes.
Os transeuntes a admiram
De longe.
Olhos atentos tentando
Capturar uma migalha de sua perfeição,
Olhos gulosos,
Invejosos olhos,
Ávidos, desejosos, quase cheios de volúpia.
Nasce o Sol, gira a Terra,
Cresce a Lua, desce a chuva
Sobre as costas desenhadas da escultura.
Passam-se os segundos,
Perde-se a juventude,
Vão-se os transeuntes,
Mas a pedra fica.


(08/09/10)

Matilda de Azevedo

Visto


Vôo alto por nuvens macias
Com meu belo guarda-chuva azul.
Pouso em terras estrangeiras,
Em meio a selvas virgens
E araras de plumas exóticas.

Alimento-me das frutas silvestres,
Como companhia, tenho as árvores dos bosques
E todos os seres que as habitam,
E todos os seres que me co-habitam.

Deslumbro-me com folhas suculentas,
Vistosas e extravagantes,
Com animais diversos
Em seus trajes de gala.

Há tantas cenas exuberantes
Perdidas nos grilhões de nossas mentes.
À minha volta, as maravilhas se misturam
Em uma espiral acelerada.

Nunca aceitarei a verdade parda
Que nessa terra de riquezas
Serei sempre mera visita.



(19/05/10)

Yuri Mushrock

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A fuga

Vou-me embora para alhures,
Dize a minha amada que saí para comprar cigarros.
Talvez ela nem pergunte, deve estar entretida
A assistir a novela das oito.

Cansei dessa vida monocromática,
Quero uma profusão de cores
Explodindo em formas caleidoscópicas.

Quero comidas sem conservantes,
Sem glutamato monossódico,
Sem plástico nem condimentos.

Meus olhos anseiam por cenas excêntricas,
Por dragões de cômodo
E aves-do-paraíso.

Serei como a água dos rios,
Sempre em movimento
Em direção à imensidão dos oceanos.


(19/05/10)

Yuri Mushrock

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Gotas

                                                                     Foto por: Mike Rodrigues
                   
                     
A chuva cai majestosa,
Não se importando com os transeuntes
Encolhidos como pássaros indefesos.
Cada gota ensurdecedora
Ecoando no silêncio do meu vazio,
Tilintando como um sino,
Como um sinal, um aviso.
Cada gota, uma memória,
Uma lembrança
Inundando minha mente já confusa
E cansada,
Trazendo-te em cada onda.
Cada gota como um prego
Fixando-te em minha carne,
Minha vida pregada a tua
Por uma tempestade inteira.


(22/11/10)


Mike Rodrigues