sábado, 1 de outubro de 2016

Sol em Libra

É outono
A Balança ensina equilíbrio
A alvura da garça embeleza o pântano
Cada gota de chuva alimenta o rio

É outono
A natureza em total harmonia
A morte das folhas nutre o solo
As noites aos poucos empurram os dias

É outono
Porque há de haver inverno
A mutação segue costumeira

Porque nenhum verão é eterno

Mike Rodrigues

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Poema de outono II

O pio macabro dos pássaros
Esfria as tardes de outono
Enquanto as cores das árvores
Ainda não esquentam a paisagem

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Poema de outono I

Céu cinza-chumbo
Clima úmido, frio
Gosto agridoce de nostalgia
A Beleza triste do quase-outono
Esvai o Tempo no cair das folhas
Aumenta a noite com o passar dos dias
O horror da existência
Ignorância, benção divina
Alienação servindo de resiliência
A vida é um caótico vazio
A morte uma plena inércia

terça-feira, 4 de agosto de 2015

지하철

As pessoas viajam mudas
O trem passa e as leva
Parecem com pressa
Paradas, lentamente arrastadas
Homens em seus ternos
Mulheres elegantemente maquiadas
O metrô se renova a cada parada
Mais do mesmo, mesmo do nada
Alguns vão sentados, outros em pé
Soldados à estrutura metálica
Esperam seus destinos,
A estação derradeira,
Convergência inevitável
Dessa fria linha férrea.

(03/08/15)

Mike Rodrigues

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Möbius

Nasci atrasado
com excesso de tempo
e falta de espaço
preso num perpétuo laço
sinto-me atado
tal qual um inseto
nessa fita infindável
ando sempre cansado
com saudades do futuro
no encalço o passado
o que há de errado?
com essas fronteiras
com esses embaraços
cercado pelo nada
coagido por todos lados

Mike Rodrigues

terça-feira, 30 de junho de 2015

Isometria

Campo aberto
Caixa fechada
Faixada de aço
Mormaço
O céu derrete lentamente
Cobrindo nossas cabeças
Fundindo nossas mentes
Cansaço
Barulho
As engrenagens gritam
As pessoas se silenciam
Trânsito intenso
Máximo proveito
De tempo e espaço
Pressão constante
Apertando os laços
Um belo embrulho
De um lado orgulho
Do outro fracasso
Um cubo inteiro
Feito de mil pedaços
Eterna caminhada

Cada dia é como um passo.

(27-04-15)

Mike Rodrigues

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Âncora

Desamarrei de teus pés meus cabelos
Desatei os nós e os zelos
Deixei-te livre a flutuar
Ao sabor da maré alta
Sobre a luz da Lua cheia
Soltei-te tal qual sereia
Joguei-te de novo ao mar
E essa ponte de areia
Que construí para além-amar
Que desmorona em maré cheia
Que eu sísmico a remontar?
Assisto enquanto andas
Pra longe, em direção às ondas
Deito na praia a choramar?
Ou faço pra Yemanjá mandinga
Que ela te traga ainda

De volta pro meu amor restinga?

Mike Rodrigues