sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ser como o rio...


"...que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite."

Manuel Bandeira


Sou rio
Só rio
Sorrio.

(26/01/12)

Mike Rodrigues

Vazio


Estou vazio
Como pele nua com frio
Um ventre magro e faminto
A escuridão eterna
Etérea
O limbo
Estou vazio
Como olho sem brio
Uma boca seca e amarga
A omissa língua
Nula
O fastio
Estou vazio
Como mente em desvario
Um corpo oco de alma
Um ser sem espírito
O espaço inútil
A terra infértil
O vão
O vácuo
O nada absoluto
Completamente
Sozinho.

Mike Rodrigues

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pornografia explícita


Sorvete de chocolate:
Um cone
Duas bolas
Leite condensado
Olhos famintos
Língua e saliva
Movimentos ávidos
Sobre o calor do meio dia.

Mike Rodrigues

sábado, 21 de janeiro de 2012

A folha


A folha branca à minha frente
Se torna cada vez mais alva,
Cada vez mais morta,
Tão inerte, até sólida.

A folha hoje, folha outrora,
Celulose resumida
À folha clara,
A não-vida me instiga,
Me chama, me demanda,
O rubro pulsar de minha essência,
Aquela que tivera
Como eu tenho agora.

A folha branca à minha frente,
Tão nula folha
Vazio me torna,
A folha industrializada,
Tão alvo papel que cega
É a árvore que me chama
a assinar minha sentença
como ela, morta.

Mike Rodrigues

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Abismo

                                           Lo Zeos - papel craft, paetês, linha e fio laminado

Vejo dentro de mim o escuro
Sou o Universo antes de o ser
Antes do ser
O pré Gênesis
A pré Singularidade
Sou o escuro
Matéria escura
Sou a antienergia
O Caos
A própria cosmologia
Vejo dentro de mim você
Antes de o ser
Antes do Verbo
O preâmbulo
E a penumbra
A lado escuro da Lua
Sou o Sol em eclipse
Ego Sum
E me transmuto a cada dia.

Yuri Mushrock

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sinais

Eu me encontrava em meio ao nada,
Estava em casa e não a reconhecia.
Agora estou mais perto
E mesmo assim nunca me senti tão longe,
Tão distante,
Tão perdida.
Não me acho em reflexos de olhos conhecidos,
Não reconheço essas faces cunhadas a tempo,
Não me reconheço.
Eu me absorvia em divagações estúpidas,
Eu, alma pequena, assaz adjetivada!
Nunca me senti tão vaga,
Nunca me senti tão nula,
Nunca me senti tão fria,
Nunca me senti...
Eu me extraviei no meio de algum caminho,
O qual nem ao menos sei aonde me conduziria,
Oxalá fora do abismo que sou eu mesma.

Matilda de Azevedo

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Especiarias

Você
faz-me arder
feito pimenta
pele canela
casaco para meu corpo
proteção são teus ombros
você
sabor doce
luxúria pura
beijo quente
essência de cravo
língua e papilas
você
faz de mim moradia
veludo camursa
cor cacau
e eu
baunilha.


Mike Rodrigues