sábado, 23 de junho de 2012

Madruga Infinita


A madrugada é infinita
Para almas inquietas
Poetas são naturalmente inquietos
Não que sejam hiperativos
São poetas por serem inquietos
São inquietos por serem poetas
Almas quietas não têm tempo para poesia
Alienam-se
Casam-se
E esperam pela morte.

Mike Rodrigues

terça-feira, 19 de junho de 2012

Carruagem


O tempo passou e não amenizou
Aquilo que o amor fez questão de destruir.
O tempo passou e levou meus amores,
O tempo levou até mesmo o próprio amor.
Ele veio e virou meus olhos para as costas,
Lambeu meus cabelos,
Derreteu-me o colágeno
E descalcificou-me por inteiro.
Passou e deixou-me para trás,
Sentenciou-me a mim mesmo,
Amarrou minha cabeça ao meu tornozelo.
O tempo só soube trazer nostalgia do passado
Despejá-la no presente
E enterrar antídotos e promessas no futuro.
O tempo resumiu minha vida à rotina,
Depois a reduziu à inércia.
Tempo, tempo...
...combustível de inquieta angústia.
Essa que eu jurava ter gosto de jabuticaba,
Mas percebi ter gosto de nada,
Ser o nada,
Ser eu mesmo.


(13/06/12)


Mike Rodrigues

terça-feira, 1 de maio de 2012

After dark


Eu, acostumado com teu silêncio,
Teu doce e asfixiante mudo soturno.
Você, criatura mistério,
Ser noturno.
Eu julguei conhecer-te por escassos encontros,
Não me percebi diminuído
Frente a teu impenetrável escudo.
Eu, iludido por teus olhos,
Tão bela alma.
Você, escondido pelas sombras,
Sempre atrás de máscaras.
Eu achei ver-te claramente,
Acreditei naquele absurdo,
Porém nunca percebi
Que te via somente no escuro.


(26/12/11)


Mike Rodrigues

sábado, 14 de abril de 2012

Púrpura


O desespero de perceber meu bem
Que sou sem pérola uma ostra
Sou a casca oca
Molusco morto
Somente a gosma
A epifania meu amor
De me encontrar sem alma
De ser nada além da concha
E de estar nela encarcerada
É ver-me em mar aberto
Meus destroços à deriva
E o filete púrpura que jorra.

Mike Rodrigues

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tempo


A noite se difundiu por minha pele,
Penetrou a fundo além de minha capa.
A madrugada me congelou no espaço,
Transformou-me em estátua,
Cobriu-me o rosto com máscara.
À minha volta,
As pessoas continuam rotineiramente
Sendo vazias,
Sendo, apenas.
À minha volta o mundo gira;
Esse movimento todo me dando ânsia,
A cada instante, a cada era que passa.
Sou só mais uma ironia,
“Porque o tempo,
O tempo não pára”,
O tempo não para.


Mike Rodrigues

sexta-feira, 23 de março de 2012

Filosofia noturna


As corujas já não dormem de dia
Nem adormecem -
Insônia,
Olhos grandes
Como Luas -
Mas já não vigiam.
Os ratos e insetos estão à solta,
As corujas já não comem,
Não são mais boêmias,
Não são mais, apenas.
As corujas já não mais pousam
Sobre os ombros de Atena,
Já não voam,
Arrastam-se,
Já não piam.
Apenas esperam pela morte,
Apenas se confundem com as trevas,
        ... se confundem...
       ... nos confundem...

Mike Rodrigues

domingo, 18 de março de 2012

Lítio


Talvez me falte carga,
Me sobre polos,
Me sobre vícios.
Talvez sou inconstante,
Imprevisível, alternativo.
Sou pedra que derrete em água,
Misterioso e reativo.
Talvez me sobre humores,
Me falte amores,
Me falte amigos.
Não! Meus amigos...
...estão dentro da minha cabeça.



(16/03/12)


Mike Rodrigues